
Galo
4 Março, 2008
Um dia simples, mais um dia no calendário. Até o ano de 1953. Naquele ano em especial o dia de hoje estava reservado para aquele que um dia ia fazer muitos chorar de alegria ou de tristeza. Nascia no bairro de Quintino, um garoto pequenino que com o passar dos anos foi apelidado de “galo”, veja você, logo galo. Creio eu que um apelido digno seria: leão, águia ou quem sabe urso. Mas o tempo, e a vida incumbiram-se em dar a excelência ao apelido. Durante anos e anos perante uma platéia em êxtase de cento e vinte mil…. Duzentas mil pessoas… Todos prendiam a respiração, pois sabiam que quando um objeto esférico tocava aos pés do galo, em um simples piscar de olhos, em uma fração de segundos, uma jogada poderia mudar o mundo. E aquele que estava alegre, ficaria triste. Pois a esfera havia acabado de tocar o barbante da meta de algum arqueiro em um passe oriundo dos pés do galo ou quem sabe em algum chute em que a esfera veio serpenteando pela grama e se tornou vitoriosa no duelo com o goleiro. E aqueles que chegaram ao local do espetáculo com problemas, tristes. Esqueceria dos seus problemas, e a tristeza ia saltitar de alegria perante o mesmo momento em que a bola tocou no barbante. Alguns choravam de alegria e outros de tristeza. Creio eu que por muitas vezes o sol demorou mais a se por e encontrou-se no céu do bairro com a lua apenas pra acompanhar o espetáculo do galo. Porem em um determinado dia todos se tornaram órfãos, pois o galo se foi. O local do espetáculo se sentiu vazio, mesmo quando a presença do publico no local era avassaladora. O objeto esférico se sentiu reduzido “a bola” e ninguém mais a tratava com a majestade do galo. O sol ia embora sem o menor peso na consciência e cedia o espaço pra lua tomar o seu posto, pois o astro das tardes de domingo não pisava mais naquela grama. E nesse momento todos choravam. Alguns pelo fato de não ter mais que sofrer com os gols, outros por que não teria mais as alegrias dos gols, não iam ver mais o numero 10 sobreposto ao vermelho e preto do manto resolver tantas partidas. Mas todos choravam, por que se despedia ali um gênio. E no dia da despedida um garoto virou para o pai na arquibancada e pediu: “Pai, pede pro Zico ficar mais um pouco?”.
Enfim, meu pedido não foi concebido,pois o tempo é implacável.. Mas me restaram as lembranças e o agradecimento.
Obrigado Galo.
Petrukiu